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quinta-feira, 8 de março de 2012

Dia Internacional da Mulher




Todos os dias somos agraciados com as concessões de nosso Pai de infinita sabedoria. No entanto, poucas sãos as ocasiões que nos prostramos, reconhecidamente, para as benfeitorias que nos são concedidas. Quantas vezes, reconheci com humildade, a graça de ter nascido mulher? Acredito que, nenhuma. Cada gênero tem suas devidas características, suas belezas e suas importâncias. Mas, dedico estas palavras ao espírito feminino.
Somos dotadas de força e sensibilidade.
A força para aguentar com resignação os percalços da vida. Para ser a firmeza de um lar, em que todos que ali habitam, encontrem no espírito feminino o conforto e a paz necessária.
A sensibilidade de ter uma palavra acolhedora de mãe, de carinho de avó, de compreensão de irmã, de reconhecimento de filha, de amor de esposa. São tantos papéis assumidos durante o dia e, em cada um deles, a mulher demonstra sua grandeza e sua importância para o mundo.
Este ser que, sabiamente, foi escolhido para levar o título de "mãe". Desde o instante que sabe que carrega no ventre o seu filho, já pode ser chamada de mãe, porque ali já divide o seu organismo com outro ser, já compartilha suas energias, seus carinhos; já cria laços de dependências, envolvendo o filho numa atmosfera de amor e proteção de maneira a fazê-lo reconhecê-la, intuitivamente, como porto seguro, ao nascer. Como não reconhecer o privilégio de ter nascido mulher, se a cada papel assumido, reconheço a responsabilidade que me foi confiada? Se Deus me confiou o envoltório feminino para abrigar a minha alma, é porque sabe que tenho força suficiente para assumir os papéis que a vida me dará. E eu agradeço a confiança.
Agradeço a feminilidade, a sensibilidade de chorar vendo novelas, os ouvidos sempre dispostos a ouvir, a resignação, o espírito observador, a calma (mesmo que não seja a todo tempo), entre tantas outras características femininas.
Parabenizo às outras mulheres dotadas dessas características e que assumem todos esses papéis com tanta facilidade na sua rotina. Parabéns, vovó Germana. Parabéns, mainha. Parabéns, Adriana.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Estudando para concurso...


Cinco horas da manhã, acordo e percebo "tá amanhecendo, vou ter que acordar de 8h para estudar e só faltam 3h, vou aproveitar para dormir enquanto posso". Que inocência a minha, se minha consciência me acordou às 5h, ela não me deixará dormir tranquilamente as próximas 3h, o que de fato acontece, e passo a me acordar de instante em instante até dar 8h. (e acordo com sono, apesar de não conseguir dormir). Beleza, daqui que eu tome café e dê uma olhadinha na internet, começo a estudar umas 9h. Incrivelmente 1h passa em 10 minutos. Tenho que tomar café em frente ao computador para economizar tempo.
Então, 9h começo a estudar. Leio o primeiro parágrafo e penso "vou trazer um pouquinho d'água para não ter que ficar me levantando para ir à cozinha". Vou lá e pego a água. Me sento para estudar. Peraí, o que tava escrito mesmo naquele parágrafo? Leio mais uma vez e penso "droga, esqueci de pegar os óculos...ficou na bolsa que saí ontem". Me levanto e vou pegar os óculos na bolsa. Vou fechar a porta para não escutar os barulhos de fora e dificultar minhas saídas. Mas o que era mesmo que estava escrito naquele primeiro parágrafo? Penso "Sara, se concentre! Mais de 4 mil o salário". Faço uma prece e peço ajuda a Deus para conseguir me concentrar. Finalmente saio do primeiro parágrafo.
Facilitaria muito a minha vida se eu aprendesse a estudar sem escrever, mas não consigo. Tenho que fazer resumos, embora, quase nunca consiga lê-los ao fim dos estudos. Estou então lá, concentrada, quando percebo que estou começando a escrever uma linha bem troncha. Droga, odeio resumos com a linha troncha...Parece que o conteúdo fica mais fixo na mente se o resumo tiver organizadinho. Pronto, já perdi minha concentração, porque além de estar escrevendo as linhas tronchas, minha letra está ficando muito achatada e o resumo que eu escrevi ontem não estava assim. Deve ser essa caneta. Oxe!!! A ponta fina parece que está ficando grossa...tenho quase a absoluta certeza que essa caneta tinha a ponta mais fininha. É isso que está afetando a beleza do meu resumo. Penso "Sara, minha filha, você quer passar ou não? Enquanto escreve vai ficar pensando nessas besteiras ou no conteúdo? Se concentre", então volto a me concentrar e estudo mais um bocadinho.

Menino, que susto, a minha almofada de smile pareceu um cookie gigante quando, meio no canto do olho, avistei-a em cima da cama. Essa foi o cúmulo da falta de concentração. Percebo que já são 12h e é hora de parar para almoçar. Me dei um intervalo até às 14h. Mas assim como aconteceu pela manhã, não dá tempo de almoçar, olhar a internet e cochilar em 2h, porque tudo se passa em 15 minutos. Umas 14h30, depois de um banho, me sento para recomeçar os estudos. Não acredito! Esqueci a água de novo. Vou pegar a água e me sento para estudar. Com os óculos, recomeço a ler. Leio uma, duas, três vezes o mesmo parágrafo e não entendo naaada. Vou pegar o caderno para ver se tenho alguma anotação a respeito. Enquanto procuro, percebo um cachorro latindo ou um alarme tocando (o que em tambaú não é surpresa nenhuma acontecer). Reunidas as informações do caderno, apostilas de cursinho, constituição, material completo masss...falta a concentração. Penso "minha filha, você tá pensando que vai chegar em algum lugar assim? Enquanto você tá pensando besteira tem mais de 2.400 candidatos estudando". É suficiente para recuperar a minha concentração. Uma hora de estudo corre maravilhosamente, até que minhas costas começam a doer e eu olho para o relógio: 15h, hora de lanchar. Vou na cozinha, pego uma barrinha, aproveito para ir ao banheiro. Olho para minha caminha linda, confortável, aconchegante e ela me fala docemente "vem dormir! Só um cochilinho de 10 minutos não vai fazer mal". Sai para lá, tentação! Recomecei os estudos resistindo a todas as tentações atééé...uma dúvida surgir. Ligo para Lorena "Lóóó, não tô entendendo isso..." "Lóóó, tô errando os exercícios e não estou acertando 90%". A bichinha! Quase sempre me responde, para meu alívio, mas infelizmente, às vezes, a deixo com as mesmas dúvidas. Nessa historinha, chega a tão sonhada 18h e um estudo de um dia acaba. Vou riscar agora o tópico do edital que estudei. Qual não é a minha surpresa ao descobrir que os estudos de um dia inteiro renderam uma palavrinha do edital. ¬¬
Beleza, amanhã eu vou ver se acordo mais cedo e consigo estudar umas 8h por dia.

Boa noite!

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Obrigada, 2011! Seja bem-vindo 2012!



É chegado o momento de fazer reflexões de mais um ano que passou e calcular o saldo positivo que me acompanhará nas entradas de 2012. É de conhecimento de todos que desfrutamos de uma vida sem muitas facilidades, em que nada nos é ofertado sem grandes esforços demandados. No entanto, hoje, me mostro agradecida pelos obstáculos enfrentados no ano de 2011. Mesmo não tendo alcançado ainda o emprego que tanto almejo, tive grandes vitórias em outros níveis que não o de sucesso profissional.
Ensaiei grandes passos no progresso moral e sentimental. Passei por dificuldades que puseram em prova minhas verdadeiras virtudes e pude experimentar a prática do perdão, ou pelo menos, ainda trabalho para tentar alcançar sua verdadeira plenitude.
Respondi ao chamado que há muito suplicava em meu coração e me aproximei da prática religiosa que tanto me fazia falta. Hoje, me encontro não ainda em equilíbrio das minhas emoções, mas num estado de controle e constante vigilância para não me deixar cair em pensamentos negativos.
Aprendi a me respeitar, deixar as lamúrias de lado e dar espaço a estima de meu próprio ser. Reconhecer as dificuldades e confiar em mim mesma a capacidade para superá-las. Mais do que tudo, agradeço a oportunidade de lutar pelo que quero e não obter facilidades. Se assim o fosse, não aprenderia o valor que cada conquista nos proporciona.
Deixei de lado qualquer pensamento de insegurança de minhas forças cognitivas e estou aprendendo a desenvolver a paciência advinda do aprendizado. Não procuro mais motivações no espírito competitivo porque as conquistas devem vir do nosso próprio esforço em melhorar e não em mostrar-nos melhores que os outros. Todos merecem sua oportunidade e não são os outros que roubam aquelas que estão reservadas para mim, mas sim eu mesma juntamente com os obstáculos impostos pela minha mente insegura e enfraquecida.
Agradeço a família e os entes queridos com quem compartilho tantas afinidades e verdadeira amizade. Suas presenças são cruciais para o meu crescimento e fortalecimento. São com eles que tenho oportunidade de exercer o amor fraterno e praticar o bem e, com quem posso desfrutar de compaixão e companheirismo. Agradeço o amor com que sou tratada e o lar em que me encontro, que hoje, contempla momentos de paz e harmonia.
Agradeço por essa época natalina ter aflorado meus melhores sentimentos para com o próximo e peço permanecer nessa sintonia, por todos os dias que virão.

Faço, por fim, um único pedido para 2012: paciência. Essa virtude que agrega tantas outras, como a humildade e benevolência.

Feliz 2012 para todos!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Minha lourdinas, minha infância


Fecho os meus olhos e me vejo lá, com meu tênis branco e a meia também. A fardinha azul marinho e branca completa o visual. Hoje consegui fazer meu próprio penteado quando amarrei o cabelo todo para o lado com a minha xuxinha de crochê azul. Nas costas a minha mochila/mala rosa e na mão minha lancheira laranja com meu lanchinho "gostoso".
Oba, cheguei cedo! Coloquei minha bolsa na fila do pátio. Fui a segunda da minha turma a chegar.
Enquanto a aula não começa, fico olhando meu álbum de adesivos e colando mais alguns da cartela do Piu-piu que acabei de comprar. Me perco no tempo e quando vejo minha tia já chegou e já é hora de ir para sala. Na fila indiana seguimos em direção à sala. Por entre os azulejos verdes dos corredores, vou escorregando minha mão, fazendo barulho e pisando nos quadradinhos em fila, senão a tia reclama que estamos andando fora da fila.
Na sala as carteiras super pesadas, de madeira marrom escura, estão posicionadas, então corro em direção ao meu lugar de sempre, claro, com cuidado para não prender o meu joelho no assento que levantava. Hoje é dia de recebemos a agenda com nossa foto que vamos dar de presente às nossas mães. As meninas pediram para eu escrever uma dedicatória porque acham minha letra mais bonita, mas eu acho isso uma besteira. Não vejo a hora de tocar para o recreio. Será que Janaína hoje trouxe pippos de milho? Na minha lancheira estão 5 biscoitos brazinhas e o suco de maracujá. Não vou comer o meu lanche, Janaína hoje não trouxe pippos mas vai comprar uma pizza da cantina e eu vou comer um pedaço dela. Queria que meus pais me dessem dinheiro para eu gastar na cantina. Um pastel de vento e uma coca. Humm, delícia!
A gente hoje foi lanchar lá nas mangueiras, nos bancos NLS. Carol brigou com as meninas do vôlei e foi pedir para lanchar com a gente. Tem umas meninas falando com o menino do muro. Não sei o que viram de bonito nele. Estão só se "amostrando"!
Mal deu tempo de lancharmos e brincarmos, a música do fim do recreio começou a tocar e saímos gritando desesperadas para chegar na fila. "Jogue o lixo no lixo, não jogue nada no chão, vamos deixar essa escola, brilhando com esta canção". Iuvanda está ao microfone dizendo "Acabou o recreio, vamos para fila. Acabou! Sem empurrar!". Então irmã Angelina pega o microfone e tenta nos acalmar cantando "Deus é bom para mim. Deus é bom para mim. Contente estou, caminhando eu vou. Deus é bom para mim. La la la lala. La lala la la. (depois em silêncio, fazendo só os gestos)"
Agora sim, estamos prontas para voltar às salas. O braço esticado segurando no ombro da colega, para não ficarmos umas em cima das outras. Mas eu vi minha colega chegando atrasada e furando fila. Ela sempre faz isso.
Voltamos para sala e assistimos mais algumas aulas. Meu caderno de capa dura pequeno recebeu elogios da tia. Mais tarde, toca a música indicando o fim da aula.
Corro em direção ao cantinho da grade que dá para ver o portão. São 17h e hoje espero que mainha chegue cedo para me buscar. Não vou nem brincar com as meninas, porque ela pode chegar e não me encontrar. Mesmo Iuvanda estando no som anunciando os pais que chegaram para buscar seus filhos, tenho medo de não escutar chamando o meu nome. É melhor ficar aqui na grade esperando. "Tchau, Marina". Queria ir cedo como ela. Na verdade, o pessoal do ônibus do colégio sempre sai antes de todo mundo.
No entanto, o céu começa a escurecer. Deu 18h e fecharam o portão de trás. Droga! Vou ter que ir para o portão da frente porque mainha ainda não chegou. O porteiro Psiti está lá sentado, não deixando que a gente ultrapasse o portão. "Será que aconteceu alguma coisa com os meus pais?"
Graças a Deus, não. Vejo o carro chegando e saio correndo. Já estou atrasada para natação. Minha bolsa já está pronta no carro e ali mesmo coloco o maiô. Só vou chegar em casa lá para as 21h. Vou deixar para fazer minhas tarefas quando acordar amanhã, mas só depois de assistir Fada Bela no programa Caça Talentos.
Quando o dia finalmente chega ao fim, me deito na cama e penso o que tem para fazer amanhã. Acho que vou levar minha pasta de papel de carta para trocar com as meninas. Boa noite e até amanhã!

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Intolerância gera intolerância


Não tenho o costume de ler as matérias da Época mas, por ventura, me deparei com duas de uma mesma jornalista e escritora que detém uma coluna fixa na revista. Uma até já comentei aqui, se tratava da visão de fracasso que os jovens atualmente têm quando não encontram a felicidade. Agora, a última que eu li, falava da relação entre os evangélicos e os ateus. A jornalista relata um episódio de um diálogo entre uma jornalista ateia e um taxista evangélico. No desprender da conversa, o taxista tentava convencê-la a ir à igreja.
Parte desse pressuposto a exposição da jornalista em mostrar um país cada vez mais evangélico, em que, segundo sua opinião, prega-se a intolerância aos que não acreditam em Deus ou numa religião. Diante de uma leitura extremamente opinativa e pouco embasada em fatos concretos, foram dispostas críticas ao pagamento do dízimo, à abertura de novas igrejas com os mais diversos nomes, às tentativas de converter novos praticantes, enfim, uma série de fatores que em nenhum aspecto mostra o lado positivo que poderia existir. Me pareceu ser uma leitura tão intolerante quanto a que ela pregou em relação aos ateus. Apesar de não concordar com certas atitudes, respeito a visão que cada um tem, desde que saibam pregá-las para o bem e não por conveniência ou por segundas intenções. As pessoas pecam em suas liberdades de escolha e opiniões, por quase sempre levar em consideração um lado apenas, aquele que lhe parece ser mais conveniente e terminam por obter uma leitura mesquinha ou incompleta dos fatos. Confesso ter proferido muitas críticas aos evangélicos e outros por até então desconhecer a esfera que eles viviam, mas ao visitá-los, em seu próprio ambiente, sem discursos tentando converter novos integrantes e demagogia, pude enxergar o que os prende de verdade à igreja: o amor. Quantas pessoas ali não estão apenas em busca de um conforto próprio ou vai apenas por conveniência, mas seria injusto resumir todos nesse contexto quando tive oportunidade de conhecer projetos de educação, ajuda aos necessitados, doentes, entre tantos outros projetos de verdadeira caridade. Além do trabalho de conscientizar as pessoas a terem atitudes mais saudáveis, coerentes com um estilo de vida agradável, voltadas para o bem e não para fazer o mal para si mesmo e para os outros. Como posso ignorar o fato de centenas, milhares de pessoas que são realmente ajudadas todos os dias e que diminuem o mal propagado nas ruas, ao qual todos estamos sujeitos? Certamente, quando uma jornalista critica uma atitude de um taxista tentando levar uma ateia para a igreja, não verificou que pode ser uma pessoa sem instrução que foi orientada para aquilo, ou que nas melhores das suas intenções estava tentando ajudá-la da forma que ele conhecia. Certamente, ela também não verificou que a presença de igrejas em cada esquina, podem ser responsáveis por diminuir a criminalidade, tirar jovens de ambientes insalubres para ambientes de paz e onde se prega o amor. Todos nós temos a liberdade de escolher em que acreditar, mas a intolerância não deve existir em nenhum aspecto e todos estão sujeitos a passar por experiências novas e mudar sua opinião, então não sejamos tão cabeça dura para certas coisas. Abrir o coração pode trazer novas sensações e oportunidades de melhorar o que nós temos de ruim.

domingo, 6 de novembro de 2011

Novas vivências/25 anos



Quantas coisas podemos descobrir quando abrimos o nosso coração para novas experiências! Fiquei feliz em ter encontrado no local mais improvável, pelo menos para minha opinião preconceituosa, palavras tão reconfortantes e reveladoras. Me senti à vontade num ambiente que eu não esperava.
Quando a gente mantém o coração aberto para as oportunidades, pode encontrar as palavras que precisavam ser ditas pelas mais diversas formas e pelas mais diversas pessoas. Algo que se eu me mantivesse em minha postura opositora não teria conseguido enxergar da mesma maneira satisfatória.
A gente percebe que as coisas importantes são ditas o tempo todo, só não damos a devida atenção, ou não percebemos suas singelas nuanças. E quando temos a necessidade de ouvir, mesmo sem identificá-las, elas terminam chegando aos nossos ouvidos, porque Deus consegue perceber nossas fraquezas antes mesmo de nós percebemos.

Aproveito a oportunidade para me mostrar agradecida por mais um ano de vida e pelo amadurecimento que tenho adquirido com o passar dos anos. Apesar de não ter conquistado muito dos meus planos, me sinto realizada em alguns aspectos de engradecimento e maturidade. Agradeço as experiências de aprendizado através do convívio com a família e os amigos. Descubro a cada dia novas formas de amar e me relacionar com as pessoas. Me torno mais seleta com aquilo que me faz bem e me afasto do que me faz mal. Não me sinto mais tão desconfortável em expressar minhas opiniões e impor minhas convicções.
Interessante como com o passar dos anos você termina encontrando seu espacinho no mundo e no coração das pessoas.
Obrigada pelos meus 25 anos! E que venham mais anos de aprendizado!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Meu infinito particular

Quanto mais divago e me perco em meio aos sentimentos e pesares, menos sei se estou progredindo ou regredindo no intuito de manter a minha mente sã. Um defeito daqueles que pouco falam e muito observam é quase sempre se distraírem da realidade momentânea e se perdem em meio a sua realidade interna. Não sei, agora, se meus momentos de reflexão tem me trazido benefícios ou se estou me deixando levar por pensamentos que me desvirtuam do caminho da lógica.
Muito divago ou me faço entender no raciocínio?
(Às vezes tenho a impressão de não serem pensamentos meus, mas algo a mim imposto)

Se as pessoas que me vêem soubessem o que se passa na minha mente em funcionamento, entenderiam porque por tantas vezes fico calada ou demoro a responder perguntas. Se soubessem como funciona o meu processo de formação e assimilação das ideias, talvez compreenderiam que o silêncio quase nunca significa a ausência de argumentos, pelo contrário, não passa de um acúmulo de ideias e pensamentos pouco sintetizados. Agora consigo entender minha deficiência em sintetizar qualquer assunto, ou minha dificuldade em expressar pela fala boa parte do que se passa em minha mente. A fala é quase sempre resumida e nunca acompanha a velocidade do pensamento.
Me considero aliviada por não haver limitações quando escrevo aqui. Quase sempre consigo externar uma boa parte das minhas reflexões.

Muito escrevi e pouco expliquei. O estímulo do post era externar algumas aflições que hoje me atormentam, mas que necessitavam de uma prévia contextualização sobre o "meu infinito particular". Não sei se me fiz entender, mas pouco me importa. Ao menos, para mim, tenho um relato daquilo que, momentaneamente, em minha mente permanecia.
Hoje me aflijo por, inúmeras vezes, me pegar julgando em pensamento, tanto atitudes como pessoas. Consigo enxergar tão claramente defeitos alheios e acabo sofrendo por eles, me deixando afetar por atitudes que julgo incoerentes. Visualizo cada etapa da forma que eu acredito ser a certa e me atormento por esperar que as pessoas ajam exatamente da forma como arquitetei internamente. Ora, quem sou eu para enxergar tantos defeitos nos outros e ser incapaz de enumerar os meus? Aí vem a segunda parte das minhas aflições: sou advogada de acusação dos meus próprios pensamentos condenatórios. Quanto disso me policia e faz de mim uma pessoa mais humilde e menos discriminatória, ou me torna alguém que muito se policia e pouco exige seus direitos? Não só não consigo responder a isso, quanto caio na minha terceira aflição: quando termina o meu direito e começa o do meu semelhante? Por vezes me abstenho de brigar por meus direitos ou em defesa daquilo que acredito ser o certo, por não conseguir distinguir quanto estou certa e até onde vai o meu direito; o que de fato me pertence.
São tantos questionamentos e poucas respostas que prefiro me manter no silêncio das minhas inquietudes a externá-las a terceiros e acabar não encontrando muita coerência nelas.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

The pursuit of happyness

Minha inspiração dessa postagem partiu de uma leitura do texto de uma colunista da Revista Época, em que a autora dissertava acerca da nossa geração de jovens e a busca pela felicidade. Na verdade, o texto discorre sobre os equívocos cometidos pela juventude ao pensar que a felicidade é um direito e a frustração é um fracasso. Muitos crescem com a ideia de que a vida é fácil e conseguir a felicidade não necessita de muitos esforços. Ao se deparar com uma frustração, desistem da busca, por não estarem preparados a continuar adiante e aprender com os erros e as dores.
De fato, muitos foram criados como modelos e aspirações de realização, almejados pelos pais para que não cometessem os mesmos erros destes e tivessem a oportunidade de obter uma vida melhor do que a que eles tiveram. Essas aspirações acabam por privá-los do aprendizado pelas frustrações e pelas dores. Mas quem sempre teve tudo na mão e não precisou se esforçar para conseguir algo, não sabe mensurar o valor que existe nas coisas.
A autora elencava fatores que caracterizavam os jovens, mas acredito que o contexto não se resume apenas a estes. A busca pela felicidade é uma característica inerente aos seres humanos, o que diferencia é que os jovens estão dando seus primeiros passos nas frustrações que a vida adulta acarreta, enquanto que os mais velhos já passaram por mais experiências. O fato de desistir ao se deparar com os primeiros obstáculos não é uma característica unicamente dos jovens despreparados, mas dos que se deixam abater diante das dificuldade: os fracos.
Mas o significado da felicidade para os que acham que a tem por direito se difere do conceito de felicidade para os que a encontram por merecimento. Ninguém tem uma definição correta para a felicidade porque ela varia de acordo com as necessidades de cada um. Mas uma coisa é certa, ela não bate na sua porta ao mero acaso. A chave para encontrá-la se encontra em duas palavras: amor e dor.
Ninguém consegue ser feliz sozinho e de nada adianta ter conquistas se não há como compartilhá-las ou dividi-las. Aqueles que amam, estão mais próximos de encontrar a felicidade que tanto buscam.
E a dor é essencial para o nosso aprendizado. Aqueles que se privam de senti-la, vive uma vida de ilusões e permanecem cegos na ignorância ao se negarem a aprenderem com o sofrimento e com os erros. Só quem passa pelo pior tem a capacidade de definir o que a felicidade, porque reconhece que ela pode estar nas coisas mais banais e que ela é mais simples do que complexa.


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Há 20 anos



Em 1991 eu iniciava minha busca por conhecimentos. Era o primeiro ano, dos catorze que eu passaria estudando no mesmo colégio (Lourdinas). Aliás, 20 anos ininterruptos de estudos já se passam. Vejam só que bonitinha a surpresa, de ter encontrado minhas tarefinhas da época guardadas pela minha mãe. O Jardim I e II ( 1991 - 1992) retratados por pinturas e pelas primeiras noções de escrita e contagem.
Como é interessante o método utilizado para iniciar, ao mesmo tempo, incentivar aquilo que para o resto da vida você vai buscar: o conhecimento.
E como eu pintava direitinho! Tive que fazer uma atividade de reforço de coordenação motora, mas ao que tudo indica, surtiu efeito pois passei a pintar os desenhos das minhas coleguinhas também.
É bem verdade que 20 anos atrás o "u" e o "n" tocavam terror. Não sabia fazer nenhum dos dois, mas por sorte o papel utilizado era de material grosso e eu não cheguei a rasgá-lo com tanto choro derramado e borracha usada para apagar os erros enquanto eu não acertava fazer.
O mais interessante foi descobrir que eu sempre desenhava nos "desenhos livres" uma casa com o número 13. Não consigo me lembrar se era o número da casa onde morávamos. E vale salientar que eu só fui aprender a contar até o 13 posteriormente.
Na tarefinha da letra "i", havia um desenho de um isqueiro, acho que devo ter me interessado bastante, pois passei a desenhá-lo nos meus "desenhos livres". Convenhamos, algo estranho para interessar uma criança de 4 para 5 anos. Acho que por isso passei a tirar "Bom" como nota, ao invés de "Ótimo" e "Excelente".
Outra coisa engraçada era que minha "tia" do Jardim II fazia o "a" com duas perninhas, uma na frente e outra atrás, mas eu ignorava a perninha da frente e só cobria a perninha de trás, assim como nas cópias nunca fazia com duas pernas.
Gostaria tanto de ter em minha memória mais momentos dessa época, mas pouco me lembro. Os fatos que marcaram esses 2 anos, foram:
- Um aniversário comemorado com bolo e lancheirinha;
- O quartinho escuro que passava filmes, mas que eu costumava dormir por lá. Me lembro de ter uma cama lá, mas não confirmo essa lembrança;
-Tio Marcelo que era o professor de educação física;
-Irmã Genoveva (mas que poderia ser muito bem caracterizada pela palavra: generosidade. Com certeza todos que passaram por ela tem a mesma opinião);
-A casa da bruxa, que era uma casa que dava para o muro do colégio e tinha umas flores cobrindo;
-A sala que a gente esperava os pais nos buscarem. Me lembro de uma menina que vomitou; e, o mais marcante de tudo
-A menina que caiu em cima da latinha que continha os lápis de cor apontados. Me lembro como se fosse hoje da poça de sangue que ficou na sala, por ela ter tido 3 lápis enfiados no queixo. Coisa mais traumatizante.

Me deu até uma saudade dessa época, das minhas "tias", das salinhas de aula e dos corredores com ursinhos pintados. Eu era feliz e não sabia. Tinha o mundo pela frente e nem me preocupava em saber como seria. Por que o tempo passa tão rápido?!

sábado, 10 de setembro de 2011

"A quem muito foi dado, muito será pedido"

Essa frase de Cristo me chamou atenção essa semana.
Me admira a sensatez com que foi dita e como se encaixa em diferentes contextos da nossa vida. No entanto, só recebemos e nada fazemos. Jesus em sua imensa sabedoria não se utilizou desse ensinamento apenas para falar dos ricos em bens materiais, mas também dos ricos em conhecimento.
Nós crescemos, aprendemos a diferença entre o certo e errado e, supostamente, adquirimos mais maturidade. Estudamos, nos formamos, nos especializamos, mas o que compartilhamos? Temos oportunidade de ouvirmos os melhores conselhos, as melhores aulas, os melhores sermões e como fazemos uso desses benefícios? A resposta é: para nosso próprio favorecimento. Propositalmente redijo este texto na 1ª pessoa do plural, porque me incluo nessas pessoas. Quantas vezes não reclamei da ignorância de uns, ao invés de ensiná-los! Quantas vezes reclamei de quem dá o dinheiro no sinal, mas ao menos aquelas pessoas estavam fazendo alguma coisa e no entanto, o que eu fiz, já que não concordo com aquele ato?! É certo que ainda não me descobri profissionalmente, nem tenho certeza que habilidades possuo, mas há algo em que eu seja boa e serei por isto cobrada. Toda noite em minhas preces peço por algo, seja pela proteção da minha família, seja para que o dia que virá seja produtivo e proveitoso, para que nenhum mal me acometa e, se ainda estou aqui é porque estou sendo atendida. Tantas graças concedidas e pouco faço para retribuí-las.
Ainda existem aqueles que têm oportunidades de ouvir a palavra de Deus, mas só as escutam e não praticam. Mas não só no contexto religioso. Quantos existem que são agraciados com conhecimento e preferem se manter na ignorância. Quando nos questionamos e utilizamos essa magnífica ferramenta que só os seres humanos possuem "o raciocínio", percebemos que o caminho certo não é difícil, nós dificultamos. Temos todas as ferramentas nas mãos e não sabemos aproveitá-las.

Você tem sua casa, saúde, alimentação e ainda sobra tempo para o divertimento. Com o tanto que se tem, muito já está sendo cobrado, mas o que você realmente está fazendo?